Tóxico

Posted: sábado, 4 de agosto de 2012 by Monty Cantsin in
1

A vida é veneno,
veneno que não se bebe.
Veneno que não mata, ou se mata faz sutil,
faz diferente que morte matada ou morte morrida.
É veneno...
O veneno da vida.

Veneno que corrompe, que destrói,
veneno que estraga,
veneno corrosivo que dissolve carne e osso e o que era toque, agora é pó,
voa no vento juntando-se aos milhões de grãos de areia que unidos formam chão de praia,
e os cacos do veneno são o resto que sobrou daquela que falava demais.

Amor que não se define como veneno mas é, pois mata,
é capaz de tornar o que era sorriso... miséria,
veneno que não se bebe
veneno que se beija e abraça
veneno sutil que um dia faz efeito e tortura
mas com calma,
vem tudo a seu tempo,
vem leve, vem lento,
vem louco por ti e termina,
agora tudo é ruína, é tragédia
a vida é um jogo e o homem um brinquedo que quebra
é veneno que mata por dentro,
o que tomo é o veneno da vida que mata sem causar dor a pele, ao osso ou a carne,
é coração da vida,
do mundo,
e jogado no lixo é somente mais um vagabundo, um problema... apenas refugo.

A vida é veneno.
O veneno da vida,
as vezes lento e doloroso,
as vezes rápido e sutil,
ainda assim veneno que mata.
A vida é veneno
o veneno da vida é você.

Corrosão

Posted: domingo, 15 de julho de 2012 by Monty Cantsin in
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Quem me dera ser possuidor da coragem dos bravos,
possuidor nem que fosse de uma pequena parcela do fervor dos fanáticos, quem me dera...
que houvesse em minha mente o pensamento dos lunáticos,
e em meu coração, o transbordante amor dos excluídos, dos exilados,
que meu cordão umbilical fosse cortado, dos prédios, dos discos,
dos dissonantes acordes do violão desafinado, do trafego, do trabalho,
do dia a dia e seu refrão assaz grudento, incomodo, barulhento,
nos cômodos o lamento daquele que vive só,
nas horas, ponteiros, registros de tempo passado.

Que o fogo de meus olhos fosse o fogo do inferno,
que o sumiço de meus ossos fosse um trunfo de meu leito,
e que das lágrimas de minha elegia surgisse uma ode às terras virgens,
aos pensamentos intocados e aos dizeres alegóricos, fantasiosos.

Quem me dera poder viver todo dia a vida que habita o plano de fundo do cotidiano,
que ano após ano eu pudesse aprender com menos tapas, menos cortes ou feridas,
condecorado ser com mil medalhas merecidas,
hastear a bandeira da verdade libertária, quem me dera...
se ao menos eu pudesse gozar dos prazeres de minhas invenções,
pudesse quem sabe amar, sorrir sem motivo,
se eu pudesse passar um dia inteiro sem reclamar, quem me dera...
saber de tudo um pouco e ainda assim ser especialista,
ser um mártir contra o tempo/espaço e sua postura facista,
dormir quando tiver sono, beber quanto tiver sede,
poder definir o abstrato com simples palavras,
com falhas... moldar o limite existencial de minha utopia.

Quem me dera ser eu mesmo em tempo integral,
ser o rei de meu populacho e fazer de meu condado a capital de um mundo vil,
daria fogo aos pirofágicos e a humanidade o que é do ser isolado.

Quem me dera ser possuidor da razão inabalável, do pleno amor,
do contraste apaixonante de vidas que não se cruzam,
de olhares que não se intimidam, sentidos que não se revelam
e passos que andam mundos.

Quem me dera não desejar a perfeição de seu contorno,
a confusão de sua cabeça, a maldição de seu sorriso,
a controvérsia de seu mundo.
quem me dera,
quem me dera...

Inexistente

Posted: terça-feira, 10 de julho de 2012 by Monty Cantsin in
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Não existe o amor puro,
 o abraço seguro,
não existe o beijo estalado com gosto de quero mais.

O outono deixou de existir,
deixou de existir também o inferno,
o inverno ainda habita o coração dos desalmados,
se é que ainda existe um corpo ou coração.
Deixou de existir o começo, o fim,
 o meio termo já cansado
partiu... como quem não vai voltar.

Não existe a cumplicidade,
a veracidade dos fatos,
foi-se embora o tempo em que o respeito existiu,
foi-se embora o tempo, virou passado,
 vaga lembrança,
 história mal contada,
saudosismo de boteco,
poema rasgado.

Não existe o altruísmo
nem mesmo o abismo do ponto final.
Eu te amo é bom dia, boa noite,
existe a palavra desprovida de valor,
existe o rancor,
nas cabeças confusão,
existe o problema, gigante,
a pequena solução.

Existe o covarde,
existe a hipocrisia,
existe a guerra, a discórdia insiste em existir,
não existe o porto das lágrimas
um dia existiu o sorriso
um dia existiu...
um simples dia
o nada existiu, fez-se verbo,
todavia foi-se em prantos,
nada foi pois nunca nada será.

Deixou de existir o começo,
o poeta deixou de existir.

Dupla Cidadania

Posted: quinta-feira, 28 de junho de 2012 by Monty Cantsin in
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Discuto e reflito                                     se penso e resolvo
     me meto e me sinto                       ser dono do mundo
      descubro o refeito                       e me engano
        fazendo de conta                     descubro
          que é fácil ser falho             ser tolo, ser burro
           difícil é ser puro               fui livre, fui solto
             falante ou pensado        e então conclui
              mais claro é o escuro meu medo, meu ódio
            são flores, são folhas     colméias de abelha
          são casas em margens       serpentes em telhas
        de mares cinzentos               são leves, são doces
      sem coisas, cem foices             mil homens, mil deuses
    distantes pastores                         dominam suas crias
  pastando nos bosques                      donzelas e amores
de amantes fajutos                               constroem as trilhas
                  de pedras marinhas, dispostas no ar

...

Posted: quinta-feira, 25 de agosto de 2011 by Monty Cantsin in
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Se quiseres concordar não diga sim

não tente discordar meneando a cabeça de um lado a outro freneticamente,

apenas impeça que a boca dispare palavras sem face,

rumores descompassados, frágeis e desalinhados pensamentos

que culminam a ponto algum, perdem-se na leveza dos dizeres profanos,

na demência dos altos e baixos.


Não tente culpar-se ou apontar seu dedo torto ao norte de suas fraquezas,

no fim das contas seu ímpeto é corrosivo, sua leviandade é habitual

e seu bom senso... ocasional, sem forma e sem necessidade, fraco.


Se quiseres mentir aprenda primeiro,

não basta sorrir e dizer, não basta ser apenas palavra ou gesto comum,

não basta dizer que não mente,

a omissão não transforma e a palavra não cura, o não dito tortura e sem eira nem beira

se aloca no fundo de um ponto sem fim.


Não tente fingir em demasia, a alma cansa, o rosto fica corado,

não tente fugir sem ao menos deixar uma nota, um último adeus,

um bilhete por baixo da porta.

...

Posted: terça-feira, 9 de agosto de 2011 by Monty Cantsin in
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Prometi que não me importaria mais tanto,

que não me preocuparia demais, que ao menos uma vez na vida deixaria estar

mas não posso.

Que não sentiria tanto quanto sinto ou omitiria um tanto aflito aquilo que me incomoda um pouco e muito... e como incomoda.

Que negaria ao sentir a sensação, ao bem estar padrão a ironia, o sarcasmo,

mas não quero,

não mais me escondo de mim quando deveria me esconder, não mais.

Me engano,

como me engano... propositalmente, auto tortura com gosto de anis.

Prometi que não me entregaria muito,

não tanto quanto antes, pouco a pouco num sadismo raso de mim, sem fim,

sem qualquer lógica ou moral, sem protocolos ou amarras cotidianas.

Prometi não ficar mais esperando, mas cá estou,

contando cada segundo, esperando surgir na janela um beijo, um ponto final

que acabe de vez com o farto marasmo, a escolha incorreta, o receio de um não.

Duas Palavras

Posted: sábado, 9 de julho de 2011 by Monty Cantsin in
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Me limito
a escrever
duas palavras
com razão

Fui limitado
toda vida
então escrevo
como sou

Seguir cantando
contando letras
DUPLICIDADE
vale dois
somando histórias
e desencontros
escrevo em versos menos um
fui dividido
e multiplico
duas palavras
vezes dois
amor amor, amar amar
duas palavras
se encontrando
sem razão

Posted: domingo, 26 de junho de 2011 by Monty Cantsin in
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Tenho minha quintessência acumulada,
a qualquer hora explode, e ai de mim,
que deixarei de ser eu e passarei a ser partícula,
uma minicula fracionada parte do eu total.

Mas oras... que espero eu do mundo gigante,
da roda quadrada, da tromba valente do monstro elefante?
Espero talvez poder ser mentiroso, contar causos inventados,
inventar eu mesmo as mentiras sobre mim, poder esconder meus defeitos,
mas sempre erro, pois me escondo por completo,
ai de mim....
repleto de mim mesmo por todos os lados,
na ilha da minha própria perdição, mas o que devo fazer?
Permaneço, insisto, faço e refaço fazendo de conta que falso é o mundo,
E percebo, incrivelmente como num passe de mágica que certo estou,
pelo menos uma vez na vida errado não estou,
ai de mim....
que sou obrigado a ser eu, mas em verdade vos digo,
adora essa coisa, esse sadismo baixo, raso de mim,
esse mal que nunca é mal por completo e sim,
ai de mim...
baixo, raso, burro e enfim,
uma minicula partícula fracionada do eu total.

A questão do meio

Posted: quinta-feira, 16 de junho de 2011 by Monty Cantsin in
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Assim como o sempre, o muito ou o nem tanto assim.
Da mesma forma que nada, algo ou coisas sem fim.
Tal qual fragmentos do ser que vagam na ilusão da construção do todo,
tal qual a fuligem da boca daquele que blasfema contra si ou contra todos.
Blasfema sendo santo, sem ser herege, sem ser rupestre hipnotiza com sua construção não linear de idéias e claros pensamentos anuviados em marcas estampadas na pedra de ser tão só.

Assim, sem medo acovardado aponta o dedo contra si em sua própria versão da lei tríplice. O mundo é redondo, pode ser, não é, será um dia, mas quem se importa quando as voltas que o mundo dá sempre trazem a tona o pior do ser sem ser; quando as águas da gruta das incertezas estão empoçadas em algo que saberão somente depois de tudo, depois que os olhos se fecharem e a água evaporar trazendo chuva na caixa, embaçando os vidros de casa.
Assim, sem sim, sem não, sem nenhuma certeza de nada, repleto de vulgas verdades insólitas e comportadas; Assim, talvez menos sim que quando palavras são trocadas entre dois no meio de muitos...
Diabetes dos doces do amo, do quero te ter; dos mimos e afagos, dos tragos e trapos trocados no dia do sempre com ti vou viver.
Assim como a porta que bate na cara dos mais narigudos primeiro.
Da mesma maneira que outrora, sem demora, pois perto do fim não importa,
tempo inimigo é agora contra o processo do sempre e mais sempre.
Tal qual retrocede, avança, costura seus não mais sem mim nos pontos de encontro de outros que vivem sem medo do tempo que ajuda, que aguarda quando deve aguardar, e sem menos nem mais é futuro, é tempo de nunca se sabe que dia será.
Talvez parecido, não idem, nada de idêntico.
Talvez totalmente irregular, mas pleno de sua importância idiota, sua importância não menos que aquela que vendem e que compram nos postos de azar, mas parece; parece que tudo, seja lá o que for esse tal, é o mesmo com suas singelas e próprias características sem vida, pois vida não é, digo, vida não é viver, vida não é saber e ter braços doloridos ao toque de um beliscão, vida assim sem começo certo, vida com fim no caixão, no terreno baldio, no riacho.
Talvez mais ou menos assim, quiçá, tal qual aquilo tudo que nada foi... Totalmente um fragmento, peças tortas, um todo de nadas unidos, um sou.

A descoberta

Posted: domingo, 31 de outubro de 2010 by Monty Cantsin in
1

Romenos bradaram,
eu e você estávamos sozinhos,
enquanto sonhos,
não mais que absurdos,
sou assim,
menos, menor, mínimo,
pequeno,
corroído e suspenso.
Solidária companhia
minha
sua
onde está você?
Comigo não
sozinho estou
desejando ser conquista
sou menos,
em dias de noite chuvosa
menor.

Ela

Posted: terça-feira, 19 de outubro de 2010 by Monty Cantsin in
0

Ela deu um passo em falso... desequilibrou-se

atentou-se a detalhes miúdos e frágeis... tropeçou

tendo em mente seu ato otimista de cura... tropeça

descobre que ama seu mundo e dedica-se a ele... mas cai


Ela talvez escolheu se matar por ternura... clemência

por medo de vê-lo chorando sozinho... sujeita-se

a opor seus sentidos covardes em flores... tropeça

e inicia o romance que a leva a loucura... então cai


Ela discute seus planos de fuga sozinha... mas erra

completa maluca carente, incoerente em seus atos... se engana

disfarça seu medo entre ursinhos de pano... se perde

nos sonhos de dias perfeitos em cores... mas cai


Ela disfarça vontades em cenas de sexta... e voa

entre nuvens douradas de filmes antigos... e plaina

em seus mundos criados com base naqueles que ama... então para

e sem mais se descobre pedaços rompidos de tudo que foi... então cai

Gasto

Posted: domingo, 17 de outubro de 2010 by Monty Cantsin in
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A sola da bota esta gasta, no todo, ressecada.
Os palitos mastigados nas duas extremidades, úmidos ainda.
O cinzeiro trasborda algo além de cinzas e bitucas.
Os livros estão rabiscados, os copos vazios, a parede... esburacada.
As latas estão enferrujadas, as juntas estão rançosas.
Os papéis espalhados pelo chão, o bolor pelo teto e a poeira por baixo da cama.

O sangue coagulado, a visão turva, a informação ultrapassada.
As cordas do violão estão estouradas, as revistas rasgadas.
O guarda-roupas esta vazio, as fotos amareladas.
O leite esta derramado não mais adianta chorar,
o óculos esta embaçado, o cobertor não mais protege do frio.
As velas estão derretidas mas ainda quentes,
no vaso, as flores procuram por sol.

Na boca os dentes gastos, nos olhos leve fogo,
o rosto reserva os traços daquele que ainda ama,
o corpo passa a ficar dolorido, os movimentos limitados.
As portas rangem feito filmes do passado,
um filme já visto diversos vezes, os diálogos... decorados,
as cartas descansam na cabeceira da cama,
os bilhetes na porta da geladeira não mais dizem nada,
os votos de felicidade eterna não mais significam nada,
os versos rabiscados nada mais dizem a não ser o óbvio,
as pernas não mais percorrem longos caminhos,
o copo de vinho é pesado, os nuances do dia são foscos,
e mesmo que houvesse uma escolha,
uma folha esperando a caneta,
nada teria a ser dito, nada seria escrito com sangue,
e mesmo que houvesse uma folha,
uma escolha esperando atitude,
nada teria a ser feito, nada seria escolhido de fato,
e mesmo que houvesse um caminho,
claro, nada difuso, iluminado,
não haveria de ser percorrido, seria caminho dos contos de fadas.

O osso esta mastigado, o piso quebrado,
o rosto cansado, o sofá desconfortável, o tapete manchado com tinta.
Os olhos ainda esperam por algo,
o coração ainda espera por algo,
a própria espera esta esperando por algo,
e ainda que houvesse tempo de sobra,
restaria somente a espera,
a vaga lembrança,
a discórdia final.

Posted: segunda-feira, 16 de agosto de 2010 by Monty Cantsin in
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O amor que me deixa confuso
é aquele que meche com o tal fuso-horário
do meu coração.

É aquele que muda da noite para o dia,
te amo, te quero,
não vou mais lhe ver.
É aquele que digo amor no sentido egoísta,
aquele que chove nos dias de sol.
É o amor que nasceu sepultado
surgido na ânsia
do sim quero amar.

Posted: quinta-feira, 12 de agosto de 2010 by Monty Cantsin in
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Minha amada
levantou sem camisa,
deu um tapa na cara com força,
apertou a si mesma,
um abraço caloroso
digno do próprio respeito,
se encantou com sonhos passageiros
deu-se um beijo
e foi se deitar.

Posted: sexta-feira, 23 de julho de 2010 by Monty Cantsin in
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Comunicamos o incomunicável,
esbanjamos o que sempre falta,
duplicamos o já duplicado,
fragmentamos a metade do meio
mas mesmo assim ainda sobra um pouco de espaço,
sobra tempo para uma música, uma dança,
sobra o tempo da criança,
sobre as costas do adulto
sombra e água, fresca brisa,
um botão de rosa na camisa,
a forca aos inocentes
e ouro ao rei do nada,
ao homem de lugar nenhum a foice,
ao sábio o que é mundano,
e ao mundo o que é do mundo,
tudo em seu devido lugar.

Na corda do relógio,
os ponteiros da incerteza,
no amplo espaço do tempo
as fases da demência,
aos tolos o que é dos tolos,
ao mundo o que é do tempo,
ao tempo o que é do louco,
ao sábio o que é do pouco,
ao muito o que é do nada,
aos poucos, o que enlouquece
enobrece a vida,
aos muitos nada entardece,
nunca é dia de inverno.

Alivio Diario

Posted: sábado, 17 de julho de 2010 by Monty Cantsin in
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Fugiu,
ficou abandonada
falou,
fingiu fincar bandeiras
formou
seus planos de conquista
correu
morou em ipanema
mascou
chicletes coloridos
mofou
no alto de armários
mesclou
com ódio e inocência
o saber
falar com indiferença
sorrir
passou por desenganos
chutou
contida por si mesma
irá
contar, cavar buracos
morrer.

Todas as manhãs

Posted: sábado, 3 de julho de 2010 by Monty Cantsin in
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Todos os dias acordo pela manhã e espero que ela venha correndo até mim e pule em meu colo com seu jeito estabanado de sempre ser, fico esperando a todo momento que a porta se abra e por trás dela eu possa ver seu sorriso brilhante, digamos que até certo ponto, infantil; ainda espero todos os dias acordar pela manhã sentindo cheiro de café recém passado, ficar encostado no batente da porta simplesmente assistindo sua alegria matinal, dançando e cantando de pijama na cozinha; todos os santos dias eu espero que quando a noite chegar ela possa escutar meus lamentos de um dia estressante, que possamos juntos, sentar no sofá e assistir algum programa meia boca ou o telejornal diário enquanto passo a mão por seus cabelos, faço comentários livres de qualquer graça... mas ela ri.
Todos os dias acordo pela manhã e espero ouvi-la cantando “ I don’t wanna miss a thing” enquanto se banha, espero que reclame por eu não ter enxugado o banheiro direito, por ter deixado a toalha molhada em cima da cama, por estar sempre atrasado, sempre despreocupado, que reclame de meu cabelo, minha barba que espeta, minha meia no teto, minha fala correta, meu dedo no bolo, meu sono profundo.
Todos os dias, acordo pela manhã e dou por mim... dou uma topada com o dedo mindinho na realidade e me reconforto com meu cigarro amassado e meu café mal passado enquanto aprecio aquele estranho quadro a óleo pendurado em minha sala de estar que tudo diz, aquele labirinto de sensações e cores que me faz vislumbrar um mundo novo a cada momento, todas as cores do borrado cotidiano ganham mais vida quando caminho por aquela estrada uniforme tocando as flores sem forma que para mim, são o maior exemplo da perfeição; o contraste de cores e odores me faz partir daqui para outro lugar, um lugar desconhecido que até hoje não sei como faço para chegar, mas sei, que lá esta ela a minha espera, como em todas as manhãs, como em todos dias frios.
Todos os dias ainda acordo pensando que tudo pode ser diferente quando caminho pela casa fazendo eco com meus passos pesados, quando fico estático na janela por horas me divertindo com a felicidade alheia.
Todos os dias o mesmo pensamento aparece e desaparece em um ritmo frenético, alucinante, pronto para fazer com que o mais forte dos soldados se ajoelhe e peça perdão a Deus pelos males que já causou.
Todos os dias ainda encaro a porta em determinado horário esperando por algo que não ira acontecer, algo que não mais existe, algo que habita o surreal plano das recordações bem vindas.

Olhos Tristes

Posted: quarta-feira, 30 de junho de 2010 by Monty Cantsin in
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Por que me olhas com olhos tão tristes?
Por que conquista-me com olhos tão irresponsáveis,
olhos perdidos em seu próprio tempo?
Por que me repele com olhos tão tristes, olhar taciturno?
O nobre, a dama, o vagabundo,
um dia qualquer que se passa,
um outro dia comum para o mundo,
um outro dia plantado em casa,
com olhos tristes, cabeça baixa,
aonde quer chegar? Qual estrada olhos assim avistam?
Olhos que vêem o fim do mundo antes de todos,
tristes, pois transformam dor em alegria.
Por que me olhas com olhos tão tristes?
Será que o mundo é de fato tão sádico, tão problemático?

A frente nada mais existe, aos lados, quem sabe,
o passado então transforma-se em angústia
quando deveria ser recordação bem-vinda,
recordação passa a ser tragédia, o intento do eterno machuca,
o eterno não existe, tudo acaba, um dia acabaremos,
um dia nada mais sobra da cabeça que pensa,
nada mais sobra dos momentos felizes,
nada mais sobra dos momentos tristes,
não sobram nem mesmo os momentos,
não sobra nem mesmo o resto do resto.
Por isso então hei de carregar olhos triste,
hei de carregar o mundo nas costas,
as dores no coração, as lembranças na cabeça,
a faca nas mãos e as botas nos pés.
Por que olhos tão tristes e lágrimas tão salgadas?
Por que tanta falta de cor, tanta nebulosidade?
Por que tanta lembrança, tanta saudade?
Por que falar tão pausado, sentir tão recluso?
Por que se interrompe com tantas paradas?
Por que se desgasta com falta de uso?

Por que me olhas com olhos assim tão tristes?
Por que me olhas com olhos assim tão tristes?

Abismo

Posted: sábado, 12 de junho de 2010 by Monty Cantsin in
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É onde encontram-se os grandes homens, as grandes decisões,
é ponto final ou começo de tempo novo sem fim,
o altar das demências, o torpor da inocência,
no abismo as decisões são corretas,
no abismo e somente no abismo,
as loucuras são louváveis,
os amantes, amados,
no abismo, no fim,
no começo,
abismo.





Pensamentos intransigentes não levam ao topo, não morrem sem cor,
são meros instrumentos da lavoura dos maus augúrios,
a falta de controle representa a fraqueza necessária,
a fraqueza que enobrece, maltrata, engrandece,
e torna a ser fraca novamente, no abismo,
a franqueza de todos é fato,
os problemas são falsos,
a escolha, é faceira
o resultado?
Abismo.





No abismo os que se encontram se sabem menos do todo ou do nada,
se sabem sem saber o que de fato representa o verbo,
se impulsionam lado a lado, ombro a ombro,
contra o vento, contra o erro, abismo,
desespero, mas não derrota,
cansaço, dores lancinantes,
o fim no recomeço,
o nada no total,
pensar enfim,
abismo.



No abismo os sentimentos se reúnem, festejam o fato de serem soberanos as vezes,
a razão não desce, a razão não sobe, é simplesmente razão, analítica, fria,
os que se salvam não esperam poder pensar, poder viver, poder amar,
pois depois do fim, depois do abismo, depois de tudo, algo muda,
e se assusta... afaga com mãos de donzela, se maltrata... beija,
se machuca logo cura, nunca se estende, o abismo não mata
não morre, não vive sem viver, abismo
espera simplesmente o dia, o treino,
a coisa que homem do mundo,
precisa, e deve de fato saber,
para assim ser chamado,
homem do mundo,
herói vagabundo,
ser homem,
no abismo.




As regras são folhas que voam, pedaços de letras na nuca dos tolos,
são o principio, a exceção, a necessidade desnecessária,
a jaula dentro do abismo, a forma que diz trapaceira,
no fundo do abismo a luz brilha forte, insana,
o pensar em seu nível supremo se faz,
não sem querer, não aleatório, e sim
torna o pensar do ser soberano,
em questão dos sentidos,
sentimentos batidos,
atordoado sentir,
gostoso, cruel,
supremo,
abismo.

Posted: quinta-feira, 10 de junho de 2010 by Monty Cantsin in
1

Chega a noite e um homem chora, um choro abafado, dolorido, envergonhado.
Um choro de criança, lágrimas violentas, insanamente graciosas, puras.
Um homem chora enquanto o mundo todo sorri,
um homem que escolhe sua própria liberdade de não escolher, atônito,
selvagem, meramente homem, puramente homem, nada mais que nada,
talvez uma gota, ou simples acaso,
quem sabe até mesmo matéria, excesso de formas,
um dia um paspalho, no outro também.

Um homem que escolhe errado,
um simples homem, uma dádiva, uma dúvida, um folclore,
pedaço de tronco, pastilha no asfalto, solitário e não sozinho,
derrotado, ameno, o homem não sabe, o homem não faz,
se vive... é por simples convenção, habito, costume.
Nada foi homem, nunca foi mundo, partícula,
o cume de suas próprias entorpecentes visões declina,
o faz vislumbrar o céu, o limite, e a honra de homem que é forte,
não chora, não se entristece, não morre.
Durante a noite, um homem chora,
a dor do mundo, a fortaleza desaba, um choro comum de todos que choram,
sentidos?
Na dor não existem sentidos, é puramente escolha,
Arbitrária? A dor não é arbitrária, é frágil, é bela
germina na arte sementes de angústia, floresce, negras rosas,
velhas orquídeas, meros jasmins.
O homem não chora, o homem não morre, o homem não sabe viver,
a arte é quem mata, a arte é quem sofre, o poeta ?
Um simples instrumento da alma que chora,
um homem que chora, razões? Quem precisa de razões?
Um homem chorando já basta,
as dores do mundo no peito de um só.